Divagações: Magic Mike

As imagens de divulgação são bastante estimulantes para a imaginação, posicionando logo de cara o filme como sendo sobre um grupo de boni...

As imagens de divulgação são bastante estimulantes para a imaginação, posicionando logo de cara o filme como sendo sobre um grupo de bonitões que tiram a roupa em um clube de strip-tease. Pode até ser menos engraçado que The Full Monty, mas traz abdomens melhores. Além disso, quem se importa com a história?

Ainda assim, Magic Mike tem algo a contar. Mike (Channing Tatum) é um cara que sonha em viver produzindo móveis a partir de materiais recicláveis. Para montar sua empresa, ele trabalha de dia na construção civil e, de noite, é a grande estrela de um clube de strip-tease, eventualmente também fazendo a contabilidade para o dono do lugar, Dallas (Matthew McConaughey). Certo dia, em uma obra, Mike conhece o jovem e despreparado Adam (Alex Pettyfer), que acabou de largar a faculdade e está perdido na vida. Com a sua ajuda, o rapaz passa a trabalhar no clube, para desespero da irmã, Brooke (Cody Horn).

Todo o restante se desenrola a partir dessa premissa e é como se o espectador pudesse prever os problemas chegando a cada novo movimento dos protagonistas. Levando uma vida boêmia, eles estão obviamente caminhando para algo mais complicado que a aposentadoria dos palcos – além de nunca dormirem e viverem outras inconsistências da ficção.

Para quem quer se divertir, as cenas das apresentações estão espalhadas durante todo o filme e, sem mostrar nada demais, fazem valer o valor da locação. Elas também funcionam para quebrar o clima pesado da história principal, vivida nos bastidores. As festas, contudo, não são tão leves e também possuem função dramática. Ou seja, Magic Mike é efetivamente um drama, sendo bem mais pesado do que os materiais de divulgação davam a entender e não muito interessante para um grupo de meninas que pretende apenas se divertir.

A propósito, nos Estados Unidos o filme recebeu classificação R (proibindo o filme para menores) não apenas pelo tema e pelas performances com pouca roupa, mas também pelos palavrões e pelo uso de drogas. No Brasil, a recomendação é que ele seja visto apenas por maiores de 16, o que eu acredito ser bem adequado. De qualquer modo, quem tiver dúvidas sobre o conteúdo pode consultar o guia para pais.

Se como puro entretenimento Magic Mike não é a melhor opção, ele é uma boa escolha para quem procura por uma história mais densa, mas que não exija lágrimas. Sem grandes romances ou aspectos mais complexos, o filme conta a sua história de maneira simples e direta, tratando do assunto de uma forma mais seca que o esperado.

Essa opção condiz com os trabalhos mais sérios de Steven Soderbergh, embora eu não me incomodasse se ele trouxesse um pouco do aspecto cool de Ocean's Eleven. Fugindo do esperado, o filme surpreende em um aspecto que poderia ser considerado até fraco se fosse seu foco principal. Para completar,  Channing Tatum não é exatamente a melhor opção quando se trata de um personagem mais complexo – ele até se esforça, mas tem um número limitado de expressões faciais.

Por sua vez,  Matthew McConaughey rouba todas as cenas em que aparece, provando que consegue trabalhar bem (tanto o corpo quanto na parte de atuação) e chamar a atenção do público. Ele grita, rebola, ensina, briga e faz acontecer, sendo muito mais interessante que seus colegas mais novos. Da próxima vez, poderiam esquecer o resto e chamar o filme de Delightful Dallas.

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