Divagações: Chef

Jon Favreau tem uma carreira interessante como diretor. Ele fez alguns filmes para televisão, mudou para o cinema, conseguiu se envolver...

Jon Favreau tem uma carreira interessante como diretor. Ele fez alguns filmes para televisão, mudou para o cinema, conseguiu se envolver com alguns sucessos de bilheteria e recebeu a incrível missão de fazer o público gostar de um dos heróis mais desconhecidos da Marvel com Iron Man. Ao mesmo tempo, ele também foi conquistando espaço como produtor, ator e, eventualmente, roteirista. Em Chef, ele resolve fazer tudo isso ao mesmo tempo.

Para quem não tem a menor habilidade na cozinha – como é o meu caso – o filme parece ter pouco apelo. Além disso, as belas imagens de pratos aparentemente deliciosos são perfeitamente aceitáveis para quem simplesmente gosta de comer. Além disso, é preciso considerar que a produção tem muito mais a oferecer. De qualquer maneira, não recomendo assistir ao filme de barriga vazia!

A história é relativamente simples: Carl Casper (Jon Favreau) é um chefe de cozinha razoavelmente conhecido que está acomodado em um restaurante. Quando o crítico Ramsey Michel (Oliver Platt) destrói seus pratos mais conhecidos, os atritos com o dono do restaurante, Riva (Dustin Hoffman), ficam ainda mais claros e ele parte para um novo caminho com um food truck. Para completar, a vida pessoal também está um pouco complicada. Sua ex-esposa, Inez (Sofía Vergara), tem muito dinheiro e ele não consegue lidar muito bem com isso; já seu filho, Percy (Emjay Anthony), implora por atenção, mas ele não sabe como lidar com isso.

Para quem estranhou tantos nomes famosos em uma produção independente, é preciso considerar que Favreau é um cara legal e muito bem relacionado. John Leguizamo, por exemplo, interpreta o melhor amigo do protagonista, enquanto Scarlett Johansson e Robert Downey Jr. também fazem participações.

Ao filme! Chef é, ao mesmo tempo, um longa-metragem familiar e uma lição de empreendedorismo. Claro que, quando as duas coisas se juntam, tudo parece mais fácil. Ainda assim, há todos os elementos-chaves dos dois gêneros presentes. Pai e filho partem – literalmente – em uma jornada para se conhecerem melhor. Eles têm discussões e constantemente aprendem um com o outro. Concomitantemente, um homem com a necessidade de empreender fica sensível a novas ideias, encontra algo novo, tem a ajuda de um investidor e trabalha duro para conseguir avançar.

O detalhe é que Jon Favreau conseguiu transformar o óbvio em algo absolutamente encantador. Obviamente, o tema da comida ajuda e traz algo com o qual todos podem se identificar, mas ele também constrói personagens absolutamente comuns. O protagonista é uma pessoa que se irrita e faz bobagens, mas tem um bom coração. Quem nunca se sentiu diminuído por um empregador? Ou fez uma loucura por um amigo? Teve problemas em lidar com alguém que precisa de você? Encontrou apoio com uma pessoa inesperada?

Isso sem contar que o filme é tecnicamente impecável. A iluminação apenas favorece todas as maravilhosas comidas que são apresentadas, além de ressaltar cada uma das paradas feitas pelo caminhão. Já a edição é divertida e simples, mantendo todo o filme com um bom ritmo e uma identidade visual coerente. Por sua vez, o som é caprichado e acompanhado por uma trilha sonora charmosa, repleta de elementos latinos.

Chef não é nem nunca teve a intensão de ser um drama que traga lágrimas aos seus olhos. Esse é um filme que vai tornar seu dia melhor, que vai provocar a vontade de pular do sofá, abrir a janela e ir aproveitar o maravilhoso dia de sol que você nem tinha notado.

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